
William Bonner fez revelações sobre como era tratado nas ruas durante os anos em que apresentava o Jornal Nacional. Em entrevista ao podcast Cá Entre Nós, comandado por Fátima Bernardes, o jornalista da Globo contou que, nos últimos dez ou doze anos à frente do telejornal, quem gostava dele ficava quieto — e quem ia até ele pessoalmente era justamente quem o detestava. "Só se manifestava o público que me detesta. Esses eram os que chegavam para mim na rua e me xingavam das coisas mais incríveis, às vezes opostas", relatou.
Tudo começou a mudar quando ele anunciou que deixaria o JN. Quem admirava o trabalho dele resolveu se pronunciar: "Ah, que pena que você vai sair; eu gosto tanto de você", foram algumas das falas que passou a ouvir. Com mais pessoas demonstrando carinho ao redor, as abordagens hostis foram perdendo espaço. "Isso vira uma vacina. As pessoas que me odeiam continuam me odiando, talvez até mais ainda, mas elas não se aproximam mais, porque fica muito estranho", explicou.
Bonner também falou sobre como, depois de quatro décadas no telejornalismo diário, deixou de ser visto como uma pessoa e passou a representar a própria Globo. "Eu virei um avatar, eu não era mais uma pessoa", disse. Por isso, na avaliação dele, acabou se tornando o alvo mais fácil de ataques dirigidos à imprensa — algo que, segundo ele, acontece não só no Brasil, mas no mundo todo. Ele ainda revelou que esperou cinco anos para conseguir formar sucessores antes de deixar o Jornal Nacional, descrevendo esse período como extremamente difícil, mas suportável porque gosta do que faz.
Fonte: Ler matéria original




